Terapia de Casal no Psicoefeito

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“Quando um não quer, dois não dançam.” Já diz um ditado popular e já oiço isto há alguns anos. Costumo referir-me aos relacionamentos começando por aquele que tens contigo mesmo, sim começo por falar que, na minha opinião, se alguém não está bem consigo então como poderá estar numa relação a dois? Este texto tem como objectivo explicar-te de forma simples (mas não simplificando… o Ser Humano é complexo) o que entendo por terapia de casal e deixar algumas dicas. Faz parte da nossa biologia sermos animais sociais, relacionais e por motivos de sobrevivência da espécie pretendemos deixar os nossos genes, não somente porque devemos de nos multiplicar, mas porque está subjacente ao Ser Humano ter uma relação mais intensa apesar de hoje em dia esta ideia ficar encoberta pelo uso de meios contraceptivos.


Como Humanos, temos diferentes fases de desenvolvimento da personalidade e com essas fases originam-se modelos de pensamento que cristalizam ao longo do tempo. Esses modelos definem quem somos e como pensamos, contudo, podem ser alterados a partir do momento em que detectamos que não são benéficos para nós e isto acontece em terapia psicológica individual e de casal. Quando o casal não está bem – discute pela mínima coisa, não se ouvem, etc… - já é um sinal de que devem procurar ajuda para que não baixem os braços ao primeiro desafio que aparece. Cada elemento do casal contribui para a relação a dois, a saúde mental saudável de ambos é de vital importância para que o “nós” exista e não o “eu” pois uma relação é a dois. O pedido de ajuda pode ser (e deve ser) feito assim que o casal sinta que a relação não está saudável, e aqui a psicologia tem um papel importante na terapia.


As consultas de casal visam colocar para fora muitas das questões internas que o casal não consegue discutir (este termo tem muitas vezes uma conotação negativa, mas gosto de o aplicar) num ambiente terapêutico propicio à tranquilidade e diálogo construtivo para que ambos compreendam o que se passa, pois como costumo dizer, os psicólogos não são adivinhos nem usam bolas de cristal, e portanto, temos de ouvir e compreender as queixas do casal. Na minha experiência, digo que existe uma queixa comum nos casais: a comunicação. A comunicação é muito importante em nós humanos, toma outros contornos quando é uma relação em que duas pessoas partilham a sua vida entre si de forma mais intensa, por assim dizer. Essa intensidade interfere na comunicação porque não estamos a falar em termos de quantidade (se falam muito ou pouco), mas sim em qualidade, neste sentido, a procura de ajuda terapêutica pode ajudar o casal num melhor entendimento mútuo.


Deixo aqui 6 dicas rápidas de uma colega psicóloga, Lisa Firestone, para o casal trabalhar entre si, contudo, não significa que não beneficiam de um processo psicoterapêutico.


1. STOP! Ao jogo da culpa.


Pára o jogo da culpa e começa a assumir a responsabilidade pelas tuas próprias acções. Para resolver problemas reais, é útil abandonar o caso que estás a desenvolvendo há muito tempo, resolver a tua parte do problema e começar do zero com uma lista limpa. Quando estás vulnerável, é mais provável que consigas o que desejas. Quando um casal entra em terapia, geralmente está cheio de reclamações mútuas. As dificuldades e a dinâmica tornaram-se tão complexas que é difícil resolver as muitas ofensas das quais eles se acusaram. As hipóteses são, na maioria dos casos, ambas as partes estão certas e ambas estão erradas.


2. Observa antes de reagir.


Naturalmente, deixar passar rancores e queixas do passado não impedirá que tenhas problemas no futuro. Quando surge um conflito, é um exercício importante nem sempre reagir automaticamente no momento. Numa apresentação recente da qual participei, alguém descreveu como um comboio os pensamentos negativos que aparecem rapidamente, mas podes escolher se deves ou não prosseguir. Tira algum tempo para te afastares do estímulo negativo e te concentrares em algo que não seja o conflito por um tempo. Como são necessários dois para o tango, parar de ser reactivo no momento impede que o argumento se transforme num território seriamente destrutivo.

Quando te acalmares, deves sentar e observar o que está a acontecer. Os tempos de conflito podem ser considerados ameaçadores à vida, mas, ao acalmares, estás num estado adulto, mais racional, e podes verificar e ver o que é real. Podes perceber que estás a projectar pensamentos negativos ou assumindo que a outra pessoa está a fazer um critica construtiva ou não. Nesses momentos de tensão, deves fazer uma pausa e reflectir. Não alimentes os teus sentimentos de mágoa. Em vez disso, afasta-te e pergunta-te a que realmente estás a reagir e por quê.


3. Identifique padrões.


Quando te sentes sobrecarregado pelas tuas emoções, é essencial perguntar o que as desencadeou. Frequentemente, quando os casais começam a discutir (de forma negativa), há um sentimento de mágoa ou abandono associado. Cenários que despertam sentimentos antigos, especialmente aqueles relacionados ao vínculo com os pais, podem fazer-te sentir inseguro ou propositadamente prejudicado. Se te sentiste rejeitado quando eras criança, és muito mais propenso a perceber aqueles próximos a ti como sendo rejeitados quando adultos. Se te sentiste invadidos na tua juventude, podes sentir-te mais cauteloso ou resistir á abertura de novas experiências.


4. Olha para o teu passado.


Depois de observar os padrões das tuas reacções, podes começar a juntar o que é familiar do teu passado. Podes questionar se estás a projectar ou reproduzir alguma dinâmica que te é familiar desde a infância no teu relacionamento actual. Pode não parecer óbvio, mas, olhando mais de perto, podes fazer conexões entre a dinâmica do teu relacionamento e tu mesmo ou o início da vida da outra pessoa. A cultura da família em que tu cresceste afecta quando és adulto. O que foi valorizado ou menosprezado na tua família?

É importante considerar que o que estás a reagir agora pode desencadear emoções do teu passado. Quando reages com base em experiências antigas, geralmente vês o mundo actual através de lentes distorcidas. Por exemplo, um homem com quem falei disse que podia ver a sua “mãe desaprovadora” na sua esposa através de “apenas um olhar”. Diferenciar das influências destrutivas do passado é essencialmente a única maneira de seres tu mesmo no vosso relacionamento.


5. Tem compaixão.


Ao estabelecer conexões com o teu próprio passado, começarás a sentir mais compaixão pelas tuas lutas. Podes estender esse mesmo sentimento à outra pessoa, vendo maneiras pelas quais eles podem estar reagindo com base em