Ansiedade: a perda do controlo.

Atualizado: 27 de Fev de 2020

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Assim como o medo, a ansiedade procura alertar-nos sobre ameaças e perigos potenciais. Muitas vezes, é vista como uma emoção negativa, pois acredita-se que ter ansiedade prejudica o julgamento e a nossa capacidade de agir. Novas pesquisas descobriram o oposto. Zein, Wyatt e Grezes (2015) descobriram que a ansiedade aumentou a capacidade dos participantes de reconhecer rostos com expressões de raiva ou medo. Eles mediram os sinais eléctricos no cérebro e descobriram que os participantes com diagnóstico não clínico transferiram a sua energia dos circuitos sensoriais (expressando a emoção) para os circuitos motores (acção física). Basicamente, os participantes com ansiedade estavam mais prontos para responder e reagir às ameaças percebidas. Se gastares muito tempo a pensar em emoções negativas e nas situações que as possam ter causado, podes entrar numa espiral de ruminação.


A ruminação é a tendência de continuar a pensar, repetindo ou obcecado com situações e experiências emocionais negativas. Nessa espiral de pensamento negativo, podes acabar sentindo-te cada vez pior com a situação e contigo, cujo resultado pode ser uma série de efeitos prejudiciais ao teu bem-estar físico e mental. O problema com a ruminação é que aumenta o circuito de resposta ao stress do cérebro, o que significa que o teu corpo é desnecessariamente inundado com a hormona do stress, o cortisol. Há evidências consideráveis de que esse é um factor para a depressão clínica (Izard, 2009). Não são as emoções negativas que afectam directamente a tua saúde e bem-estar, mas como reages e as processas quando as experimentas que realmente conta. Ficar preso a emoções negativas pode aumentar a produção da hormona do stress, o cortisol (como vimos anteriormente), que por sua vez esgota a tua capacidade cognitiva de solucionar problemas pro-activamente e também pode danificar as tuas defesas imunológicas, tornando-te mais susceptível a outras doenças (Iliard, 2009). O stress crónico também tem sido associado a uma vida útil mais curta (Epel et al., 2004).


Alguma vez pensaste no benefício das emoções negativas, isto é, como utilizá-las a teu favor? É uma outra maneira de olhar para estas emoções que são adaptativas, e se não consegues de uma maneira… então vai de outra, mas nunca desistas. Em Psicologia, colocamos muitas das vezes os problemas das pessoas noutra perspectiva, é como se mudasses de lentes nos óculos (se não usares, é como olhar para outro lado).


5 benefícios comprovados de emoções negativas


Nem tudo é triste e sombrio. Quando bem tratadas, as emoções negativas podem ter benefícios comprovados para o nosso bem-estar, e muito mais pesquisas foram realizadas para explorar esse aspecto das emoções negativas. Resumi algumas das principais descobertas da pesquisa sobre como as emoções negativas te podem beneficiar:

1. A tristeza pode ajudar a prestar mais atenção aos detalhes

Onde emoções positivas sinalizam que tudo está bem no teu ambiente imediato, emoções negativas alertam-te que existem desafios ou novos estímulos que requerem a tua atenção mais focada (Forgas, 2014). A tristeza envia-te o alerta de que algo não está certo e pede que voltes a tua atenção para o motivo, o que pode estar a causar o problema e o que precisas de fazer para corrigi-lo.

2. A raiva pode ser um forte motivador para procurar mediação

A raiva é seguida apenas pela agressão em cerca de dez por cento dos cenários (Kassinove e Tafrate, 2002). Foi provado que a raiva encoraja a procurar comportamentos activos para lidar com cenários ou pessoas que pensas serem problemáticas, mas não significa necessariamente através de confrontos ou actos físicos. A raiva é um alerta forte que te incentiva a reflectir sobre o porquê de alguém estar a comportar-se de uma certa maneira e o que podes fazer para restaurar a paz.

3. A ansiedade encoraja novas maneiras de abordar problemas e desafios

Quando nos sentimos ansiosos, tentamos fazer qualquer coisa para que não nos possamos sentir mais assim. A ansiedade está intimamente ligada à nossa resposta de "luta ou fuga", que permite que o corpo crie energia rapidamente, pronto para a acção. Quando confrontada com situações perigosas, a ansiedade assume o controlo e encoraja-nos a buscar soluções rapidamente, a fim de escapar do perigo (Biswas-Diener e Kashdan, 2014).

4. A culpa ajuda a mudar o comportamento negativo

A culpa pode ser uma emoção excepcionalmente útil. É essencialmente a nossa bússola moral e, quando dispara, é uma boa indicação de que podemo-nos ter comportado ou dito algo prejudicial para alguém de quem gostamos. É como o nosso sistema interno de nos punir quando fizemos algo errado. Pessoas que são mais propensas a sentir-se culpadas têm menos probabilidade de roubar, usar drogas, recorrer à violência, beber ou conduzir alcoolizadas (Biswas-Diener e Kashdan, 2014).

5. O ciúme motiva-te a trabalhar mais

O ciúme nem sempre é malicioso. Na maioria das vezes, é o que os psicólogos chamam de "inveja benigna". Demonstrou-se que a inveja benigna incentiva os alunos a ter um melhor desempenho nos testes e nos trabalhos escolares, pois ver outro aluno obter uma boa nota tornou mais tangível que eles também obtivessem (van de Vien, Zeelenberg e Pieters, 2011). Da próxima vez que sentires ciúmes, porque alguém alcançou uma meta desejada, tenta ver isso como uma coisa boa - significa que a meta também é totalmente alcançável para ti.

Aceitar emoções negativas não é aceitar ou desculpar maus comportamentos, é criar consciência para ti e para os outros a fim de criar reacções positivas.


Sabias que existe uma grande probabilidade de a pessoa que está ao teu lado neste momento, sofrer de ansiedade?

Existe uma conotação muito negativa da ansiedade. É tão importante para crianças como adultos, saber o que sentimos identificando ou, se preferires, colocares um rótulo, porque sentimos e quando sentimos para que possamos reagir da forma adequada ás situações que vivenciamos. Contudo, a ansiedade tem um papel importante, tal como o medo. A ansiedade (desde que não seja impeditiva no nosso dia-a-dia) é o sinal que o corpo e a mente nos dão de que somos responsáveis e nos preocupamos em que algo corra bem (como por exemplo uma reunião importante ou uma entrevista de emprego), a ansiedade nestes casos, vai fazer com que nos preparemos da melhor maneira possível para que corra bem. Como psicólogo, a minha abordagem da PNEI (sabe mais em www.psicoefeito.com) faz (ainda) mais sentido depois das evidências científicas que te coloquei aqui. Quando olhamos para o Ser Humano como um todo, percebemos que há factos que não podem (nem devem!) ser descurados, o mesmo é dizer que, por exemplo, quando te sentes com stress ou ansiedade muitos dias, seguidos ou não, o teu corpo tem uma predisposição natural para libertar cortisol, contudo, se continuares a sentir-te assim vais ficar mais vulnerável a doenças porque o teu sistema imunitário fica mais debilitado.


O que fazer então? Procura ajuda com profissionais da psicologia, simples e deixa-me que te diga isto frontalmente: os remédios remedeiam, são “anestesia”. O que realmente cura está dentro de ti, descobre-o!



Costuma-se dizer que as metáforas adormecem as crianças e despertam os adultos, de seguida podes testar isso.

Metáfora da Ansiedade

A Preocupação é uma pré-ocupação, ou seja, preocupar-se nada mais é que ocupar-se antecipadamente com algo que ainda não aconteceu e, na maioria das vezes, possivelmente nunca acontecerá. O mais interessante é que quando nos pré-ocupamos, a maioria das vezes é com coisas negativas, tornando-as pior do que aquilo que são. O que nos impede de pensar de maneira lógica, objectiva e encontrar soluções.

Imaginem isto. Estão a viajar, na auto-estrada, quando sentem que os travões do carro podem falhar. Eles estão a funcionar, mas algo parece errado. Isto nunca aconteceu antes. Então conduzem o carro até ao mecânico mais próximo. Depois de uma inspecção minuciosa do carro, o mecânico diz que está tudo bem e não há nada com o que se preocupar. Voltam à estrada e a mesma coisa acontece. Os travões parecem estar a funcionar, mas dá a sensação que algo não está bem. Voltam a levar o carro ao mesmo mecânico e, novamente, é dito que está tudo bem e não há nada com o que se preocupar. Começam a sentir-se um bocado idiotas - talvez não seja o carro ou os travões, talvez sejam vocês. Agora vocês sentem-se pior - mais confusos e a imaginar se o problema é mesmo vosso. Voltam à estrada.


Não param de pensar no mesmo e rezam para não voltar a acontecer - mas acontece. Voltam ao mecânico, ele garante que está tudo bem. São incentivados a continuar, o que vocês fazem, mas evitam a auto-estrada. Se não é o carro, talvez seja a auto-estrada. Faz sentido certo? A solução mais fácil é evitá-la. Como evitam a auto-estrada, o carro está bem. Quanto mais repetirem isto, mais certeza têm que existe algo na auto-estrada que faz com que os travões fiquem diferentes. Isto funciona lindamente - sem auto-estrada, sem medo dos travões falhar, sem preocupações... - até ao dia que a auto-estrada é inevitável. Vão na auto-estrada e acontece novamente. É angustiante. Desta vez, vão a um mecânico diferente. Ele olha para o carro e diz: "É normal que tenha sentido como se os travões estivessem a falhar. O carro está absolutamente bem – está impecável na verdade - mas há uma pequena coisa que acontece quando o carro vai em alta velocidade e faz com que sinta diferença nos travões. Não há problema, e isso acontece muito com estes carros.” Da forma como ele explicou, faz sentido. E agora existe uma prova de que tem tudo a ver com o carro e que vocês não estavam a imaginar coisas. O mecânico então explica o que fazer nessas situações. Ele diz que essas estratégias podem não funcionar imediatamente - pode exigir um pouco de prática - mas, pelo menos, vocês sabem o que está a causar o problema e podem se sentir seguros.


A ansiedade funciona de maneira semelhante. Quando os nossos amigos, filhos, clientes estão ansiosos, eles sabem que algo não está certo, mas podem não ter as palavras certas para explicar o que está a acontecer com eles. Tudo o que sabem é que sentem que algo de mal pode acontecer. Tudo dentro deles diz que algo não está certo, dizer-lhes de que não há nada com o que se preocupar não vai ajudar, e correm o risco de piorar as coisas. Eles podem deixar de confiar em mecânicos.

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