Que decisões tomas para ser feliz?

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Uma carta que podia muito bem ser a tua…

“Lembro-me de em criança alguns adultos perguntarem-me vezes sem conta o que eu queria ser quando fosse crescido, mas sinceramente não me lembro da resposta que eu dava. O que me lembro bem é de ouvir que temos de trabalhar para ganhar dinheiro, que o dinheiro não nasce das árvores, os “ricos” nasceram com o rabo virado para a lua, temos de casar, ter filhos (preferencialmente mais que um…), sermos sérios, honestos, trabalhadores e evitar andar com pessoas que não parem muito tempo em casa porque assim acabam-se relações facilmente. Quero deixar os meus pais orgulhosos! Conversas sobre o passado deles, ultramar, dificuldades em tempo de regime fascista, «filho tínhamos um rabo de pescada para três e já era muito bom…», lembro-me tão bem de ser criança e ouvir isto e ficava com aquela ideia na cabeça. Assim, criava imagens mentais de mais do mesmo, os meus pais não sabiam disso porque no tempo deles isso nem se falava, o que se falava era para serem pessoas sérias e trabalhadoras! Óbvio que na sua perspectiva isso eram os valores que queriam passar aos filhos, contudo, os tempos mudam e eles não se adaptaram a essa mudança…, mas eu quero deixar os meus pais orgulhosos!


Então fui estudar, fiz escola primária, fui para a preparatória, chumbei no 8º ano, repeti e fiz o 9ºano, depois fui para um curso profissional porque os meus pais acharam que eu tinha de saber uma profissão, isso era imperial para eles, era importantíssimo e eu queria deixar os meus pais orgulhosos. Tive um trajecto tal como os meus pais gostavam porque sentiam que eu sabia fazer algo, nunca me perguntaram o que eu queria REALMENTE fazer na vida, na minha vida, eles não têm culpa, nunca lhes foi dito em crianças que essas mesmas crianças têm vontade própria, elas sabem que querem algo e os adultos devem de ser o mediador entre elas e os seus objectivos para que quando essas crianças forem adultas possam elas mesmas caminhar no caminho que escolherem para si, mas a nossa sociedade não vê as coisas assim. É como se as crianças fossem um vazio de ideias e sonhos, hoje em dia conheço muitos adultos que não sabem ou deixaram de sonhar, MAS meus queridos pais eu quero que tenham orgulho em mim! Os anos passaram… eu cresci meus queridos pais, comecei a conhecer-me melhor, afinal, já sou adulto e isso é sinónimo de crescimento a vários níveis, certo? Ou não? Realmente vejo adultos que não sabem que devem de se conhecer bem para serem cada dia melhores, a sua melhor versão, enfim… dizia eu que cresci e comecei a sentir um desconforto enorme na minha vida, e tive a ousadia de me questionar: O que se passa? Porquê este sentimento de não me sentir realizado? Não gostar do que faço, querer melhor para mim, encontrar o meu propósito e sentir-me um talento desperdiçado? No fundo, porque razão não era feliz? Antes de responder surgiu a principal “culpa”, quero deixar os meus pais orgulhosos e isso funcionava como bloqueio, havia uma força que não me deixava seguir, afinal percebi que eram só desculpas! E de mim para mim!


Meus queridos pais, as vossas intenções foram do MELHOR que conseguiram dar-me, estou certo disso, mas a vida é minha e ao mesmo tempo quero que sejam orgulhosos de mim e isso é possível, sabem como? Isso torna-se possível quando escolho viver a minha vida, quando começo a decidir por mim, os vossos conselhos estão sempre presentes, mas isso não deve ser impeditivo de seguir o meu caminho e não aquele que vocês – com todo o vosso coração, e sublinho isso – pensaram ser o melhor para mim. Garanto-vos isto: os valores e princípios de vida que me passaram estarão sempre presentes em mim, eu não sou a vossa continuação, sou sim, o resultado do vosso Amor e isso respeitarei sempre. É que eu quero deixar-vos orgulhosos, vou ter o que vocês desejam, isto é, trabalho, casa, filhos, mas isso é ao meu tempo, é quando tiver que ser e não por que sim. Obrigado por perceberem!”


Acredito que serás um orgulho para os teus pais quando eles virem e sentirem que és feliz, independentemente do que tens em termos imateriais ou materiais e isso deve ser o que te move, ou seja, aquilo que queres para a Tua Vida. Compreende-se as mentalidades antigas, foram precisas no seu tempo, agora és Tu que tens de reinventar essa mentalidade adaptando-a para os tempos actuais e isso não é desrespeitar o que foi feito pelos teus pais, é sim, adaptares tudo o que aprendeste aos teus dias tal como eles fizeram no tempo deles. És aquilo que escolhes ser, sem desculpas, sem apontar dedos, sem nomear culpados porque se assim for terás sempre bloqueios – és sempre o efeito, nunca a causa - que te prendem como amarras a um passado que é isso mesmo, é passado e não volta deves é de aprender com ele. Ser a mudança que se quer ver no mundo não pode ser só de falar, tens de agir nesse sentido e essa mudança tem de estar de acordo com aquilo que valorizas, com o que te identificas, com o que queres para Ti e para a Tua Vida. O meu desejo é que estas palavras te inspirem, que possam ser uma forma de despertar o teu pensamento e reflexão e o meu contributo será sempre nesse sentido.


“A separação não significa que não devas possuir nada. Mas sim que nada te deve possuir.” Ali ibn abi Talib
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