Depressão: como se manifesta.

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Assunto sério, uma vez mais no Psicoefeito falamos de um tema que suscita muitas dúvidas, ainda. Este texto vai ser sobre depressão, esse flagelo que assola vidas de milhões de pessoas em todo o mundo. Não é suposto ser assim, não deveria ser assim, então, porque é assim em Portugal? É assim por falta de sensibilização do Estado Português, é assim por falta de literacia em saúde mental, é assim porque não se liga aos temas da saúde mental como se devia em comparação a outras áreas da saúde, e é (também!) por isso que Portugal está como o quinto pais da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) que mais antidepressivos consome. Surpresa? Nem por isso. Num pais em que consulta psicológica (ou terapia) é para “malucos” (já agora isso é o quê?) é “natural” que as drogas que tem efeito no sistema nervoso central (i.e. remédios) sejam mais fácil de consumir do que mergulhar em nós mesmos para compreender quais as razões que nos levaram a cair na depressão. A rápida gratificação será sempre melhor, até ao dia em que tu pensares que o melhor da Vida é o que te desafia. Será que Portugal com maior literacia em saúde mental teria estas mesmas estatísticas? Arrisco-me a dizer que não, conhecimento é poder, nos dias de hoje basta “googlar” e encontramos dezenas ou centenas de informações sobre o assunto que quisermos, SÓ QUE, no caso da saúde mental isto não pode ser assim, sabes porquê? Porque são temas que devem ser falados e esclarecidos com pessoas e não com pesquisas na internet, e é para isso que digo sempre nos vídeos do Psicoefeito para não hesitares em contactar para esclarecer dúvidas pois a saúde mental é de vital importância.


Vamos começar pelo inico da depressão. Ao contrário do que muitas pessoas pensam a depressão não é fraqueza nenhuma, não é de pessoas fracas, a depressão é uma perturbação emocional que impossibilita a pessoa de viver o seu dia-a-dia pelo facto de bloquear mentalmente muitos dos processos mentais inerentes a um dia-a-dia saudável como por exemplo, tomar decisões, planear e agendar tarefas, entre outras. De seguida explico os dois tipos de depressão:


Dois Tipos: Perturbação major e Distimia.


Perturbação Depressiva Major:

Os sintomas causam mal-estar clinicamente significativo ou défice social, ocupacional ou em qualquer outra área importante do funcionamento. Pelo menos um destes dois sintomas durante duas semanas, que são: humor depressivo ou perda de prazer ou do interesse.

Prevalência:

Em indivíduos entre os 18-29 anos é 3x superior comparativamente a indivíduos com 60 anos ou mais;

Mulheres com taxas 1,5 a 3x superiores aos homens.

Gostava de frisar este aspecto: a depressão major tem uma duração de duas semanas daqueles sintomas referidos anteriormente, e peço que retenhas essa informação.


Distimia:

Ideia de cronicidade associada a perturbação depressiva – mais de dois anos.

Humor depressivo durante a maior parte do dia, mais de metade dos dias, durante pelo menos 2 anos, indicado pelo relato subjectivo ou de outras pessoas.

Sintomas:

Idênticos aos dos episódios depressivo major;

Sintomas físicos menos comuns;

Factor de risco para o desenvolvimento de perturbação depressiva major.

A reter: são pelo menos dois anos de sintomas e não menos que isso, mais uma vez fica esclarecido que quando se fala de forma leviana sobre estes temas é um erro, experimenta perguntar ás pessoas que te rodeiam ou que “não acreditam” nestes temas se sabem estes aspectos básicos de diagnóstico.


O modelo biomédico está obsoleto, completamente ultrapassado e quem o diz são os estudos, de facto, existem milhares de estudos a comprovar a eficácia de psicofármacos em conjunto com terapia psicológica, contudo, em pleno séc. XXI ainda há quem não aplique esta sugestão científica na prática clínica, a pergunta impõe-se, porquê? Dados recentes da Organização Mundial de Saúde revelam que cerca de 970 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de algum tipo de distúrbio mental, e que o número de pessoas com depressão e ansiedade aumentou mais de 40% nos últimos 30 anos. Segundo Dainius Pūras, é preciso perceber que o modelo até aqui seguido “tem deixado muitas pessoas para trás” e que tratar a dor emocional como um “problema médico” (o mesmo é dizer que não se trata com remédios) não é o caminho, até porque “continua por provar cientificamente que problemas como a depressão resultam de desequilíbrios químicos”, como quase todos parecem acreditar.” (In Expresso)


Menos Medicação

Como podemos compreender, os fármacos não são benéficos a longo prazo, aliás, eles são recomendáveis em fases especificas ou criticas/agudas se quiseres. Uma das razões para isso é a forma como actuam no sistema nervoso central (SNS). Os inibidores selectivos da recaptação da serotonina (ISRS) são actualmente os preferidos para o tratamento de sintomatologia depressiva, que efeito têm? A serotonina é a hormona da felicidade, segundo estudos com pessoas depressivas esta hormona está em numero reduzido em pessoas depressivas e 70% a 80% é criada nos intestinos (podes ver o meu artigo sobre o segundo cérebro). Para que essa produção seja feita de forma quantitativa (i.e., mais serotonina) é necessária uma alimentação saudável (qualitativa). Quando isso acontece, os ISRS funcionam da seguinte forma no SNS: bloqueiam a recaptação da serotonina nas fendas sinápticas onde ocorrem as comunicações entre neurónios e libertação de hormonas porque é aí que estão os receptores do organismo.


A questão central é que as pessoas que apresentam sintomatologia depressiva tendem a comer de forma menos saudável não produzindo assim serotonina que as permita alterar de humor dístimico para eutímico. Então surge a pergunta: Que efeito fazem os antidepressivos ISRS se não existe serotonina suficiente para esse efeito? Basicamente actuam sem fazer qualquer efeito porque a hormona que eles bloqueiam a sua recaptação não existe! É aqui que entra as abordagens holísticas como a PNEI, pois nós somos o que pensamos (Psicologia), mas também somos o que comemos, dai a importância da alimentação no nosso dia-a-dia.


De há 20 anos para cá que tem aumentado o número de prescrições de medicamentos para tratar a depressão e a ansiedade e outros problemas de saúde mental e, por isso, uma das recomendações centrais do relatório da ONU tem precisamente a ver com isso (em Portugal, a situação é especialmente problemática, sendo o país da OCDE com maior consumo de ansiolíticos, hipnóticos e sedativos, de acordo com um estudo do Infarmed divulgado em 2017, que revela ainda que 1,9 milhões de utentes adquiriram pelo menos uma embalagem destes medicamentos).

Segundo o relatório da ONU, a abordagem até aqui utilizada na saúde mental, quase exclusivamente assente num “modelo biomédico” — muito focado nos factores biológicos da doença mental — levou não só ao recurso excessivo a práticas de coerção no caso de incapacidade cognitiva, intelectual e psicossocial, como também ao uso de medicação em casos em que ela não era necessária. Falamos aqui também de sobremedicação, num pais em que existem casos de pessoas que não podem comprar todos os medicamentos de uma só vez (e quem sabe não compram mesmo…) esta é uma situação delicada que deveria, na minha opinião, ser esclarecida à população, e isto não é feito.


Portugal apresentava em 2017 um consumo de 104 doses diárias de antidepressivos por mil pessoas, quando em 2000 pouco ultrapassava as 30 doses diárias. O relatório usa como indicador a "dose diária", que representa a média indicada por dia para um medicamento usado por adultos para sua principal indicação terapêutica. Portugal apresenta um consumo de 104 doses diárias por mil pessoas, quando a média dos países da OCDE é de 63 (In Expresso). De acordo com um estudo da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), 1 em cada 5 portugueses sofre de uma perturbação mental (23% da população) e 65% das pessoas com diagnóstico de perturbação psiquiátrica não recebeu qualquer medicamento. O que pensas destes dados que te apresento aqui? Merecem, no mínimo, uma reflexão e, muitas vezes, a tua dúvida pode ser a dúvida de outra pessoa.


Contributo Psicoefeito:

Por estas e outras razões, criámos no Psicoefeito o G.A.F. que é a sigla para Grupo de Apoio a Familiares, cuidadores e amigos de pessoas com diagnóstico de perturbação mental que tem como objectivo apoiar, esclarecer, sensibilizar e informar familiares, cuidadores e amigos de pessoas com diagnóstico de perturbação mental. O grupo é presencial, misto e aberto e é dinamizado no meu consultório Psicoefeito (Paio Pires - Seixal) e é um contributo para uma lacuna na saúde mental em Portugal. Se estiveres interessado em inscrever-te neste grupo ou obter mais informações, por favor, preenche os dados neste link.

Procura conhecer-te com profissionais da psicologia, a conjugação entre psicofármacos e psicoterapia é recomendada pelos estudos, só medicamentos não porque eles não tratam a causa, mas sim os sintomas.


Nunca dirias, “é só um cancro, isso passa!”, pois não? Então porque o dizemos a alguém que sofre de depressão? (OPP)

Obrigado por leres!


Vamos fazer psicoefeito?

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